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António Guterres (Secretário-Geral) sobre Violência de Género e COVID-19
5 Apr 2020 -  A pandemia da COVID-19 está a causar enorme sofrimento humano e devastação económica em todo o mundo.
Recentemente, apelei a um cessar-fogo global imediato para que nos possamos focar na nossa luta comum contra a pandemia.
Apelei ao fim da violência em todos os lugares, de imediato.
Mas a violência não se limita ao campo de batalha.
Para muitas mulheres e meninas, a maior ameaça está precisamente naquele que deveria ser o mais seguro dos lugares: as suas próprias casas.
Por isso, hoje faço um novo apelo para que haja paz em casa - e nos lares - em todo o mundo.
Sabemos que as quarentenas e os confinamentos são essenciais para suprimir a COVID-19. Mas podem colocar muitas mulheres à mercê de parceiros abusadores.
Nas últimas semanas, à medida que as pressões económicas e sociais e o medo aumentaram, assistimos a um crescimento horrível da violência doméstica a nível global.
Em alguns países, duplicou o número de mulheres que telefonaram para serviços de apoio.
No entretanto, os profissionais de saúde e a polícia estão sobrecarregados e com falta de pessoal.
Grupos de apoio locais estão paralisados ou com poucos fundos. Alguns abrigos para vítimas de violência doméstica estão fechados; outros estão cheios.
Apelo a todos os governos para que façam das medidas de prevenção e compensação em caso da violência contra as mulheres uma parte essencial dos seus planos nacionais de resposta à COVID-19.
Isso significa aumentar o investimento em serviços de apoio on-line e nas organizações da sociedade civil.
Garantir que os sistemas judiciais continuam a levar os agressores perante a justiça.
Instalar sistemas de alerta de emergência em farmácias, supermercados e mercearias.
Considerar que os abrigos para vítimas são um serviço essencial.
E criar formas seguras para que as mulheres consigam procurar apoio, sem alertar os agressores.
O respeito pelos direitos e liberdades das mulheres são essenciais na construção de sociedades fortes e resilientes.
Juntos, podemos e devemos evitar a violência em todos os lugares, desde as zonas de guerra às casas, enquanto trabalhamos para vencer a COVID-19.